Bibliografia Anotada – 2 itens

Bibliografia Anotada (1º Item):

Ferreira, G.. De conteúdo a recurso, prática e pedagogia: sobre o movimento REA e suas ramificações. Revista Educação e Cultura Contemporânea, América do Norte, 9 6 09 2012.

In http://periodicos.estacio.br/index.php/reeduc/article/view/432/2

Descrição:

Trata-se de um artigo, de 2012, de Giselle Martins dos Santos Ferreira, publicado na Revista Educação e Cultura Contemporânea, revista essa que “oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.”1

A autora, entre outras funções e contributos na área da educação e das novas tecnologias, colabora desde 1998, enquanto Professora-Pesquisadora, na Open University do Reino Unido (OU), desenvolvendo cursos em áreas de interseção entre as Artes, Ciências Sociais e Tecnologias da Informação e Comunicação e desempenha o papel de Professora Adjunta em Pós-Graduação em Educação da UNESA, Rio de Janeiro. A sua principal linha de pesquisa é “A Educação e suas tecnologias no mundo da computação ubíqua em rede: repensando criação, ação e reflexão nos processos educativos”2

Recorrendo à pesquisa e análise documental sobre “textos chave sobre a área” (Ferreira, 2012), a autora em “De conteúdo a recurso, prática e pedagogia: sobre o movimento REA e suas ramificações” propõe-se abordar algumas contradições e diferentes conceções que, segundo esta, têm caracterizado o movimento Recursos Educacionais Abertos.

Neste, apresenta, como intenção, a discussão sobre a urgente “necessidade de se combinar os trabalhos de implementação, disseminação e conscientização acerca do potencial dos REA e suas ramificações, com uma problematização advinda de uma articulação mais sistemática entre as ações e reflexões produzidas na área e o pensamento dos autores críticos da contemporaneidade” de forma a garantir que o potencial dos REA “não seja rechaçado por processos reacionários ou simples oportunismo” (Ferreira, 2012).

É com este propósito enunciado e a partir de um histórico parcial do movimento REA, que Giselle Ferreira desenvolve o seu artigo ao longo de, para além de introdução e comentários finais, dois pontos centrais: “2 – Grandes esperanças: entre ideal, ideologia e estratégia”, “3 – Assim na educação como na computação: mais um futuro do pretérito?”.

Apreciação:

Reencontro, neste artigo, várias ideias que representam ser pontos importantes do debate sobre o movimento REA e elucidativas das contradições conceptuais que têm pautado a sua definição. Desde já e entre outras:

– O desenvolvimento incessante das Tecnologias de informação e Comunicação tem servido como “um dos aspectos do pano de fundo proposto para o posicionamento do movimento REA” (Ferreira, 2012);

– Uma variedade de contingências relativas, por exemplo, à propriedade e autoria, em associação ao desenvolvimento das TIC, sugerem poder explicar a existência de tensões entre o social e tecnológico que acompanham, desde o seu nascimento, diferentes conceções do movimento REA;

– O uso de licenças de compartilhamento consideradas “abertas” (Ferreira, 2012), como as licenças Creative Commons, tem sido, no entanto, comummente aceite como elemento central para definir REA.

– Das diferentes críticas colocadas ao movimento, que tomam por base algumas lacunas e subtilezas nos discursos favoráveis (como patente em Canclini, 2009, in Ferreira, 2012) poder-se-ão encontrar as de determinismo tecnológico e a de “Imperialismo” (pelo predomínio, entre outros, da língua inglesa nos REA);

– A sugestão que a reformulação da Educação à distância (EAD), assumida em estreita ligação com o REA, em conjugação com os avanços tecnológicos num contexto de globalização económica e dentro de um quadro de “inevitabilidade tecnológica” (Ferreira, 2012), pode apresentar-se como a resolução dos dilemas que trespassam os indivíduos, comunidades e instituições ligados à Educação.

No entanto, destaco, duas reflexões que, numa interpretação pessoal, me parecem reunir o pensamento da autora:

1ª – A de, desde a sua conceção, a expressão REA se ter transformado num movimento – o meu percurso em MPeL6, as minhas procuras, diversas interconexões e as minhas reflexões, até ao momento, assim me encaminham para acreditar que tal afirmação é um facto. Apercebo-me de pessoas, professores, comunidades, instituições educacionais bastante envolvidos em Práticas Abertas e na criação e disseminação de Recursos Educacionais Abertos, assim como, de um ponto de vista dos seus princípios orientadores (poder-se-á falar de Missão ou de Filosofia dos REA), que muitos são aqueles que crêem (ou atribuem?) os REA imbuídos de valores como os de Democratização, Igualdade, Inclusão/Integração, Abertura e Transparência. Nessa perspetiva, criticar esta idealização, ou “credulidade” (Ferreira, 2012) parece-me ser difícil, senão impossível.

2ª – Que a discussão sobre os REA e o seu potencial, continua a ser necessária e aprofundada, dadas as ainda várias contradições que tendem a “permanecer encobertas no âmbito de agendas pragmáticas” (Ferreira, 2012). Nesse sentido, não me parece ser descabido continuar-se a questionar, por exemplo, a sustentabilidade de Abertura e Gratuitidade dos REA.

Em resumo, o artigo é, no meu entender, não só completo e pertinente como, também, deixa portas abertas para o debate e a partilha de considerações sobre o futuro dos Recursos Educacionais Aberto, ou seja, é, em si mesmo, pelo seu tom e conteúdo, um documento Aberto.

1 http://periodicos.estacio.br/index.php/reeduc/about/editorialPolicies#peerReviewProcess

2 http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhepesq.jsp?pesq=8992700249707040

Bibliografia Anotada (2º Item):

Santos, I. A. (2012). Educação Aberta: Histórico, práticas e o contexto dos recursos educacionais abertos. Recursos Educacionais Abertos: práticas colaborativas políticas públicas /Bianca Santana; Carolina Rossini; Nelson De Lucca Pretto (Organizadores). –1. ed., 1 imp.– Salvador: Edufba; São Paulo: Casa da Cultura Digital. Retrieved from: http://www.artigos.livrorea.net.br/2012/05/educacao-aberta-historico praticas-e-o-contexto-dos-recursos-educacionais-abertos/

Descrição:

De licença Creative Commons, CC by 2.5 Br, que permite o compartilhamento, a remixagem e até o uso comercial da obra, desde que citada a fonte, o artigo elaborada por Andreia Inamorato, intitulado Educação Aberta: Histórico, práticas e o contexto dos recursos educacionais abertos, encontra-se alojado no site Recursos Educacionais Abertos – práticas colaborativas e políticas públicas, que nasceu de um projeto, de 2011, de edital de apoio a publicações, lançado pelo Comité Gestor da Internet no Brasil, podendo ser baixado quer em ODT quer em PDF.

Com este artigo, a autora, defende que a utilização de recursos educacionais abertos é “uma maneira de se fazer educação aberta” (Santos, 2012, 71) e visa contribuir para uma reflexão sobre o desenvolvimento e prática do conceito de EA, através da apresentação de algumas definições, contextualizadas, de EA, ou seja, através da demonstração da diversidade, que classifica de interessante, de utilizações do conceito de Educação Aberta, ao qual agrega os Recursos Educacionais Abertos (REA) e associa a novas práticas de ensino-aprendizagem popularizadas com o aparecimento e proliferação das tecnologias educacionais.

O desenvolvimento do texto encontra-se estruturado em seis tópicos: Educação aberta: Principais práticas e definições; A educação aberta no ensino e na aprendizagem de crianças; A educação aberta na educação superior; Breve revisitação terminológica – conceitos encontrados com frequência na educação aberta; A educação aberta contemporânea: incorporando tecnologias aplicadas à educação e aos recursos educacionais abertos; Recursos educacionais abertos e práticas educacionais abertas.

A autora, conclui o artigo afirmando que: o conceito EA é genérico, “tanto para tratar de práticas específicas na educação infantil, como para descrever as práticas educacionais das universidades abertas” (Santos, 2012, 86-97); “uma das características principais da educação aberta de crianças e adultos é um processo de ensino aprendizagem centrado no estudante, com apoio contínuo à aprendizagem” (Santos, 2012, 87) e para a sustentabilidade da educação aberta é preciso ir para além da mera partilha de conteúdos. Finalmente, alerta para a necessidade de ” políticas públicas que apoiem e incentivem o uso de REA e que remunerem adequadamente os professores pelo seu trabalho” (Santos, 2012, 87).

Apreciação:

De leitura, que se poderá dizer, menos densa do que a do anterior item apresentado (De conteúdo a recurso, prática e pedagogia: sobre o movimento REA e suas ramificações), o texto revela-se, porém, igualmente interessante e faz sobressair algumas convergências de pontos de vista sobre REA.

Primeiramente, não se poderá conceber a conceção, implementação e disseminação de Recursos Educacionais Abertos, fora do enquadramento mais amplo de Educação Aberta.

Em segundo, existem diferentes conceções e utilizações de REA e de EA.

Em terceiro, a questão da sustentabilidade dos REA surge como um foco premente de reflexão e que demanda soluções e/ ou de resolução.

E, finalmente, é necessário o prosseguimento do debate sobre a educação (Digital, à Distância, Aberta, …) num contexto contemporâneo, de evolução contínua de tecnologias de informação e comunicação.

Ao contrário do artigo de Giselle Ferreira, que deixa (de alguma forma) em aberto uma discussão de problematização (logo, de cariz mais abrangente e teórico), Inamorato sinaliza em particular e de forma mais pragmática, sem margens para dúvidas, a necessidade de remuneração dos professores e a importância do papel de políticas públicas na manutenção sustentável dos Recursos Educacionais Abertos e para a(s) prática(s) consistente(s) da Educação Aberta.

Apesar de continuar-se o debate, que numa ótica de construção partilhada e aberta (universal?) de conhecimento não se prevê terminar, a leitura destes dois artigos (mas não apenas) indicia antes de mais a conscientização dos diferentes problemas/desafios que subjazem ao/no movimento REA…ponto de partida para a sua cada vez maior e melhor consolidação?

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