Educar, um exercício de equilíbrio

Datado de 2008, este pequeno texto imaginado e teclado por mim caiu-me agora sob os olhos…e pensei… por que não partilhá-lo no meu blog?

Educar, perante o “choque” tecnológico com o qual a sociedade de hoje se confronta, implica, e tal numa assumida perspectiva pessoal, encontrar o justo termo, o equilíbrio, entre a máquina e o seu criador – o ser humano -, para que o virtual não se sobreponha ao real, para que o conteúdo não se confunda com a forma. Como afirma Regina Belluzzo (2011), a propósito das implicações da sociedade de conhecimento na educação: “ Enquanto seres pertencentes a um sistema biológico, certamente temos duas funções básicas: a necessidade de sobrevivência, que nos leva à adaptação (…) Em decorrência, devemos sempre buscar o equilíbrio, a assimilação e a adequação para gerenciar os conflitos relativos a tais funções. (…). “
É, portanto, num contexto de revolução tecnológica (com similitudes com a revolução industrial muito embora, e talvez, bem mais complexa) e de globalização, que as escolas, o ensino, e os professores, enquanto protagonistas da educação (não únicos, como óbvio), se debatem para acompanhar, fazer face, a todas as mudanças sociais, culturais, políticas e económicas (entre outras, não menos importantes), que dela(s) incorrem e que, de forma algo conflitual e tensa, tentam adaptar-se e (re)criar-se.
Tendo isto em conta, assim como de uma reflexão em redor da necessidade em não se acrescentar às desigualdades, já existentes (e ainda não “resolvidas”), outras que relevam da incompreensão e incapacidade (por resistência ou outros motivos) das pessoas em se adaptar, poder-se-á dizer: que educar, pressupõe, pois e antes de mais, colocar-se (colocarmo-nos), em situação, contínua e constante, de “Aprendentes”. Aprender a gerir, seleccionar, interpretar, analisar, com espírito crítico mas, também, com maleabilidade, a “imensidão”, o “turbilhão” e o “bombardear” de informações que nos são, para além do acessível, impostas. Aprender, com base nas informações adquiridas, a reconstruir o conhecimento da realidade, do “eu” e da sua relação com o “outro”. Aprender a ensinar (com ética, criatividade, adequação e dinamismo) a aprender a aprender a ser-se autónomo, crítico, criativo, cooperante e solidário, ou melhor, e como defendido por Jacques Delors (2001): aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.
Educar, em suma, numa sociedade de informação e conhecimento, implica uma atitude, permanente, de equilíbrio, de moderação e de mediação: entre o passado, o presente e futuro; entre os “antigos”e os “novos” conhecimentos e entre os “clássicos” ou “tradicionais” e os “emergentes” paradigmas.

Referências/Fontes

Castells, M. (2005). “Sociedade em Rede: do Conhecimento à Política. Compreender a Transformação Social”. (Pub.) Conferência Centro Cultural de Belém. Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

Beluzzo, R. (2009). “O Acesso à Tecnologia na Sociedade de Conhecimento”. Retrieved from: http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/o-acesso-a-tecnologia-na-sociedade-do-conhecimento-966606.html

Meirinhos, M. (2000). “A Escola perante os desafios da Sociedade de Informação”. Encontro As Novas Tecnologias e a Educação. Instituto Politécnico de Bragança.

Delors, J. (1996). “Educação: um tesouro a descobrir”. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI.

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