Futuro da aprendizagem: Aprender “bricolando” e “rizomaticamente”?

Começo por dizer que levar um grupo de pessoas ligadas ao ensino/formação, professores ou não, a debater sobre o futuro da aprendizagem (@ ou sem @ à frente), nos dias de hoje, é um ato de coragem pois equivale a querer-se atravessar um campo de minas. Enquanto membro participante deste debate “Qual o futuro da @prendizagem, proporcionado em Educação e Sociedade- MPEL6, sinto-me a pisar ovos. A ter que pesar, mais do que muito bem, a cada instante, as minhas palavras.

Mas bom. Vou expressar e partilhar, na mesma, algumas das minhas reflexões sobre o assunto. Agora aqui (portanto, para além das minhas participações no fórum), neste meu Ambiente Pessoal de Aprendizagem, que tem estado muito tempo em silêncio.

Poder-se-à dizer que sou algo cética quanto ao futuro da aprendizagem, nesta Sociedade em Rede. Tenho tantas dúvidas…

Muitos, entre os quais incluiria (com ligeireza, perdoem-me o pecado) o muito respeitável E. Morin, defendem que a aprendizagem linear e hierarquizada, de saberes fragmentados, compartimentados, como aquela que tem vindo a ser seguida, numa sociedade do século XXI, e por influência das tecnologias de informação e comunicação, deixa de ter razão de ser. Que (extrapolando parte do pensamento de E. Morin, de M. Castells, entre outros), neste mundo dinâmico, repleto de incertezas, a aprendizagem deve ser entendida como algo de mais complexo, dinâmico, flexível e aberto.

Muito bem. Mas não estaremos nós a passar de uma aprendizagem linear, de saberes fragmentados, para uma aprendizagem, ela própria fragmentada e caótica (uma aprendizagem que chamaria zapping)? Onde nada se consegue aprofundar, refletir ou analisar criticamente, tal é o excesso de informação e a rapidez que se exige à construção do conhecimento? Onde cada qual é bricoleur (um faz de tudo, que sabe de tudo e que improvisa), num contexto de aprendizagem “rizómica”, repleta de conexões e interconexões, em constante construção, portanto, inacabada e sem prever conclusões ou fins?

Não é de admirar que a maioria dos alunos (do secundário, por exemplo…embora com eles, em muitas coisas, me reveja), sejam tão ágeis em fazer copy-past e depois esquecerem-se de mencionar o/a(s) autor/a(es/as), a colocarem links após links para demonstrarem que leram alguma coisa, a lerem textos não na íntegra mas sim na diagonal ou através de palavras-chave, a argumentarem com frases-ideias feitas, e tão pouco inclinados a cogitarem sobre algo. Nesta era digital, diria que é impossível de outro modo e que perder, no turbilhão de solicitações das redes sociais, de demandas para prestar provas de que se sabe aprender, o espírito crítico, é fácil e tentador.

Pois, é verdade que se defende que já não importa tanto aquilo que se sabe, mas sim demonstrar-se saber aprender. O quê? Que já não há objetivos mas sim competências de aprendizagem. Quais? Agilidade no teclar ou touch e no navegar na web? Criatividade no design do nosso PLE, presença/”extroversão” na rede e rapidez na/da comunicação…?

(aqui poder-se-ia contrapor, eventualmente e entre outros, com os sete saberes para a educação do futuro, de E. Morin)

Pois, é verdade que se defende que a Sociedade em Rede visa a democratização do conhecimento. Como? Com a dispersão da/na construção e compartilhamento do mesmo? Não proporcionará esta, juntamente com a conjuntura económica atual, uma ótima lavagem de cérebro, de alienação? Não será esta, devido ao cansaço e vontade/procura de estabilidade/segurança (estou a lembrar-me da pirâmide de Maslow), a melhor maneira de um grupo ou de alguém, ao estilo dos gangnam style, conseguir ditar, traçar o “conteúdo” das aprendizagens, desejos, pensamentos, opiniões e ações?

Não criarão as competências exigidas para esta Era, novos poderes, logo, outras/novas desigualdades? Entre jovens e velhos, ricos e pobres? Entre quem tem acesso a novos equipamentos tecnológicos e quem não os tem? Entre quem consegue acompanhar o ritmo da mudança e quem não consegue? Entre quem sabe melhor publicitar (“netcitar”) a sua “persona” e as suas opiniões e aquelas que não sabem?…

Neste momento, no que concerne as interações sociais, as desigualdades, as diferenças ou “caminhos” éticos, e por muito que pense nisso, continuo a não conseguir vislumbrar grandes diferenças entre a sociedade “real” e a digital. Esta última consistindo na reprodução, quase traço por traço, da primeira…

Como, também, não consigo discernir dissemelhanças no que diz respeito à massificação do ensino/aprendizagem. Critica-se a (des)pessoalização ou despersonalização da aprendizagem formal e/ou presencial, mencionando-se o aprendiz anónimo, presente, fisicamente, numa sala de aula sobrelotada de alunos (ex. o vídeo A Vision of Students Today ,de Michael Wesch…que tanto adorei, é preciso não esquecer). Concordo plenamente com a crítica feita. Mas…e os MOOC’s? Abertos a centenas, milhares de pessoas, oriundas dos quatro cantos do mundo e na sua computação em nuvens, não reproduzirão essa mesma (des)pessoalização? Quem é introvertido, inseguro ou apenas discreto, não se fundirá, na mesma, na massa, no todo?

Quantas questões! Quantas dúvidas! Quantas dispersões!

À parte alguns excertos de textos, não tenho conseguido encontrar quem, com crédito (quem é que tem crédito, hoje em dia? Não serão as opiniões de toda a gente, válidas e merecedoras de “crédito”? O “crédito”, enquanto conceito, não será ele cada vez mais subjetivo, logo menos merecedor de crédito? Quem sou eu para atribuir crédito a esta ou aquela pessoa?…), partilhe online deste ceticismo em particular, sobre o presente e futuro da aprendizagem (se calhar introduzi as palavras-chave inadequadas no meu motor de busca, será? Ou será que me perdi no meio de tantos blogs, pdf’s, slideshare’s, cloudswork’s,…?). Continuo a socorrer-me dos livros em papel.

Quase a terminar, sinto que tenho de recuperar o meu ponto de partida, a minha linha inicial de pensamento, ou seja, o título que dei a este entrecruzilhar de ideias. Ei-lo: Futuro da aprendizagem: Aprender “bricolando” e “rizomaticamente”?. Penso que “bricolei” imenso, aflorando (sem devida fundamentação) questões que não são nada do meu foro (nem domínio) mas sim da filosofia, da psicologia, da antropologia…e que investi no pior (na minha opinião) que o “rizoma” possa ter, nada aprofundado nem conclusivo.

Embora esta conjugação e sequência de palavras, com algum sentido espero… (estou já, num raciocínio zapping, a interrogar-me sobre o futuro da web semântica), sejam autênticas e transpareçam o que, verdadeiramente, me ocorre dizer, neste instante, sobre o futuro da aprendizagem…estas não são originais. São fruto de numerosas pesquisas e leituras, cujas fontes estão, na sua maioria, perdidas ou esquecidas, e do qual sobrou…isto.

Agora sim, a finalizar e relendo estas linhas, apercebo-me cada vez mais que continuo na franja dos(as) info-excluídas, dos(as)as analfabetos(as) do século XXI, embora…me esteja a ocorrer, ao mesmo tempo, que estas possam servir, aplicando as ferramentas tecnológicas de AVA adequadas, como base de e ou m learning. E, como diria a minha colega Cris, “e agora?”.

Algumas das fontes bibliográficas/net gráficas consultadas:

Castells, M. (2011). A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura. 4ª Edição. Vol. I. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Cruz, J. M. de O. Processo de Ensino- Aprendizagem na Sociedade de Informação. Revista Educação e Sociedade, Campinas, vol. 29, nº 105, p. 1023-1042, set./dez 2008, disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v29n105/v29n105a05.pdf
Morin, E. (2002). Os Sete Saberes para a Educação do Futuro. Lisboa: Instituto J. Piaget.
Morin, E. (2008). Introdução ao Pensamento Complexo. Lisboa: Instituto J. Piaget.

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