CONCLUSÃO-SÍNTESE: A Autenticidade e Transparência na Rede

De tantas questões que deram início ao debate, sob a Temática: A Virtualização das Relações Sociais e sobre a Autenticidade e Transparência na Rede, poucas foram aquelas a que se conseguiram dar respostas conclusivas.

Ao contrário, ao “Quem são e como são verdadeiramente esses outros que encontramos na rede? Que somos nós de nós próprios na rede? Somos ou poderemos ser transparentes? São as imagens que de nós partilhamos autênticas? Que dizem de nós? Tudo? Nada? Como poderemos assegurar a autenticidade da informação? Pela sua transparência? Quem a valida ou autentica? Quem o poderá fazer? A própria comunidade, a própria rede? Será pela transparência dos processos de partilha? Como e em quem na rede poderemos confiar? Como se poderá garantir a qualidade da informação e como se poderá garantir a idoneidade da utilização dessa informação?”, e apesar de pesquisas efetuadas, vieram juntar-se outras interrogações, que com estas se entrecruzam: “o que significa sermos transparentes e autênticos? Isso é possível? No nosso dia-a-dia, somos sempre autênticos e transparentes? Será que não mudamos conforme as circunstâncias e os contextos? Será que a opacidade que a rede nos dá, nos permite ser mais verdadeiros? Escondidos por detrás da “opacidade” da rede, que persona utilizamos? A que mais nos convém no momento? Uma qualquer porque não seremos “reconhecidos”? Ou utilizamos a mais intrínseca e genuína de todas porque não corremos riscos de exposição nem seremos, mais tarde, julgados e cobrados? Como poderá algo, como o ser humano, numa sociedade-novelo (ou em rede) ainda mais complexa, ser transparente? Complexo não será igual a opaco e antónimo de transparente? E por que motivo queremos tanto ser transparentes = verdadeiros?…

A discussão desenvolvida, principalmente orientada pela adoção de perspetivas quer filosóficas quer sociológicas e através de abordagens mais empíricas, fez sobressair a dificuldade do exercício de reflexão, muito embora indispensável, sobre algo no qual somos partes envolvidas na con-fusão dos mundos on e off line.

No entanto, entre muitas asserções, umas relativas, por exemplo, ao significado de transparência e autenticidade na Rede, “transparência não significa sermos invisíveis. Muito antes pelo contrário: significa sermos visíveis e de preferência com autenticidade (tudo feito por nós)”, “ a falta de honestidade é sem dúvida um dos grandes problemas e perigos da rede. Pois existe muita gente por ai com um perfil, criando falsa autenticidade na rede”, outras referentes à confiabilidade “Não concordo com o ponto de vista que toma a boa vontade como único fator de confiabilidade” e à garantia de idoneidade “a análise da nossa persona pode ser realizada por ferramentas que descortinam as interações na rede. Uma destas ferramentas é o programa Ucinet (…) a outra é a análise do discurso”, três ideias consolidaram-se e destacaram-se neste fórum.

A primeira, refere-se ao papel fulcral da Ética, pois “dela decorre toda a discussão sobre veracidade/autenticidade/transparência, pois o mundo virtual é, apesar de toda a parafernália eletrónica que o sustenta, acima de tudo humano, e em certo sentido, mais humano do que o mundo real, pois é concebido por e para os seres humanos”.

A segunda, reporta-se à transparência e autenticidade, implicadas na “personalização” da nossa presença na rede, enquanto formas de se garantir a própria transparência e autenticidade nas/das relações sociais virtuais “A autenticidade dá-nos algumas garantias de segurança, no geral. Estar em rede permite dar-nos a conhecer e sermos identificados por pessoas conhecidas.”, “Se formos nós próprios e se não estivermos na rede com identidades diversas ou dúbias, em caso de confusão ou violação da nossa identidade, facilmente e rapidamente a verdade será reposta” mas “Há é que ter o cuidado de minimizar os riscos sendo atento e cuidadoso.”

E, finalmente, a terceira, que nos leva à aprendizagem e à sua importância para podermos conectar-nos com autenticidade, segurança e confiança. “Conhecer ferramentas, técnicas, etc. e compreender os meandros do funcionamento de algo, é sempre importante para nos ajudar na filtragem daquilo que é suposto ser autêntico daquilo que é falso”, “o desenvolvimento de uma literacia crítica, pode auxiliar a resolver estes problemas. O que demanda aprofundamento no conhecimento das matérias em causa, e amadurecimento de ideias”.

Concluindo, deste debate, muitas interrogações permanecem no ar, ou melhor, na rede. “Quem nós somos digital e/ou virtualmente não será uma extensão de nós física e/ou presencialmente, ou seja, nós mesmos?” é, por exemplo, apenas mais uma. O que, em si, é ótimo, pois coloca-nos na situação, desejável e desafiante, de debate inacabado.

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